DANÇA PARA CRIANÇAS: CERTO OU ERRADO?
Atividade física
Em primeiro lugar, é importante analisarmos a questão do ponto de vista físico. A dança do ventre é uma atividade que, como tantas, deve ser praticada com supervisão de profissionais qualificados e, tratando-se de crianças, especializados para esse fim – uma vez que elas estão em fase de formação e crescimento.
Nesse caso, se uma criança pode praticar ballet, natação, artes marciais e ginástica olímpica, entre diversas outras atividades físicas, por que não a dança do ventre ?
Os grupos musculares, quando corretamente trabalhados, são exigidos praticamente na mesma proporção, sem alto impacto nem sérios riscos de contusões, problemas de coluna, articulares, musculares, tombos ou entorses. Veja que estamos falando de aulas corretamente orientadas – e não de autotreinamento sem supervisão.
Existem ainda diferentes movimentos e modalidades que podem (e devem) seguir uma estruturação conforme o nível de aprendizado e idade das praticantes.
Dançar é saudável
Praticar dança (seja ela qual for) é sempre saudável em qualquer idade. Quando iniciada na infância, a dança contribui de maneira acentuada para a coordenação motora, agilidade e flexibilidade.
Se realizada por longo período (3 ou mais anos consecutivos), os reflexos destes benefícios se estenderão por toda a vida, contribuindo para um melhor desempenho em outras atividades.
É uma forma de canalizar a energia em prol do autoconhecimento e despertar a sensibilidade da criança, favorecendo sua capacidade de exprimir e se relacionar com o mundo.
O despertar da graciosidade nas meninas que praticam dança do ventre é evidente, e essas normalmente tornam-se adultas mais elegantes, diferenciando-se pela postura até mesmo no andar.
A dança na infância também contribui para a formação de mulheres mais seguras e desembaraçadas, auxiliando, inclusive, o desempenho de futuras profissões.
Se a dança é tão benéfica na infância, quais os receios em relação à dança do ventre?
Sensualidade
É a palavra que resume tudo. A corrente que não aprova a dança do ventre nessa fase aponta um possível desenvolvimento precoce da sensualidade como vilão da história. Certo ou errado? Depende.
Todo ensinamento tem um direcionamento. Em primeiro lugar, não é recomendável que a criança participe de aulas com adultas.
O ideal é que a criança tenha aulas particulares ou em grupo formado por meninas da mesma faixa etária. Isso simplesmente porque a metodologia e o programa do curso são diferentes. Em uma aula dirigida a crianças, a professora deverá desenvolver a coordenação e o ritmo voltados, principalmente, para a suavidade, a inocência e a delicadeza – nunca para a sensualidade. É esta essência que deve ser respeitada e também incentivada pela professora.
Simplesmente ser criança
A criança não deve ser orientada a dançar representando uma adulta. É como colocar uma roupa “GG” em um manequim “P”. Por mais que queira se ajeitar, simplesmente não cai bem, não se adapta.
Um dos mandamentos da arte é exteriorizar sensibilidade, idéias, sentimentos, sensações. Com uma criança não pode ser diferente: cabe à mestra deixar suas alunas à vontade, incentivando a espontaneidade.
Em que idade começar?
Deve-se considerar o desejo da criança, pois o mais importante é que parta dela a iniciativa de aprender e não dos pais. A idade é variável (geralmente, as filhas de bailarinas ou cercadas de artistas em seu ambiente familiar desenvolvem mais cedo predisposição para o desenvolvimento de uma atividade artística).
Em geral, a partir dos 6 ou 7 anos já é possível iniciar os estudos.
Fonte: Jornal Oriente, Encanto e Magia nº 24